Salvador, 23 de Setembro de 2001.
Meu nome é Pedro tenho 12 anos, e escrevo.
Escrevo porque passo muito tempo dentro do meu mundo, das
minhas coisas, do meu pensamento, do que acho certo. E como tenho poucos
amigos, talvez se eu não escrever. Não vou estar legal, pois penso sempre,
sempre mesmo muita coisa. E sinto vontade de compartilhar as minhas idéias. Eu desde pequeno, 7 anos mais ou menos sempre
fui uma criança estranha, pois ficava perguntando aos meus pais. Por que garfo
é garfo e faca era faca? E por ai vai. Até hoje, não me responderam. Mas, tenho
outras perguntas, outras dúvidas.
Hoje estudo a sexta série, e minha dúvida maior é para
que estudo tanto? Meu professor de Ciências, disse que é para ser alguém
melhor, mas sou uma boa pessoa, respeito o outro, mesmo que em muitas vezes, as
pessoas não me respeitem. Só não entendo
para que estudo tanto? Outro dia perguntei ao meu irmão mais velho para que
estudo tanto e ele não soube me responder. Disse que era bom. Que era legal e
só. Fui perguntar a minha avó que estudou até a quarta série e estava fazendo
aceleração nos estudos. Minha avó teve que trabalhar para criar os irmãos,
então parou de estudar aos 11 anos. 60 anos depois voltou a estudar. Minha avó,
mesmo assim era muito inteligente, mas se perdia ainda nas contas. E sempre que
ia a rua precisava de uma outra pessoa para pegar ônibus. Por conta da miopia e
por não saber diferenciar um letreiro de ônibus do outro. Pois, não exercitava
a leitura e escrevia pouco.
Minha avó me falou que ler era essencial para saber lidar
com esse mundo nosso. Que estudar, era tudo que sempre quis, mas nunca foi
possível para ela por conta do trabalho, da família. Ainda assim, eu não
entendia para que tantos nomes complicados na ciência, ou história distantes de
nosso tempo, ou números na matemática que no dia a dia, não usava normalmente.
Como nunca estava satisfeito. Fui saber de meu pai, que
era engenheiro civil. Por que tinha que estudar tanto? Meu pai me falou que
diferente da vida da minha avó, a vida dele foi um pouco mais fácil. Mas, ainda
assim difícil. Fiquei sem entender e ele explicou. Desde pequeno trabalhou,
pois seu pai tinha uma pequena mercearia e ele precisava ajudar o pai no
sustento da família. Durante um bom tempo, meu pai estudou e trabalhou.
Inclusive durante a faculdade. E por conta das dificuldades que a sua família
passava que se empenhava mais ainda para obter bons resultados na escola e
faculdade. E ter uma vida melhor, para ele e seus pais. O estudo lhe deu a
oportunidade de realizar diversos sonhos, como viajar, conforto para os filhos,
boas escolas, e quando o pai dele estava velhinho e doente. Ele conseguiu pagar
todas as despesas como medicamento, hospital, alimentação entre outras coisas.
Eu consegui entender mais, o por que de se estudar tanto,
mas mesmo assim. Por que tinha que estudar tantas coisas chatas? E meu pai me
falou, que existem maneiras divertidas de se aprender a respeito de qualquer
assunto. Bastava que eu quisesse e o assunto se tornaria interessante. Então, passei a estudar mais, ler mais,
escrever mais. E comecei a me interessar mais, por que pesquisava e comparava o
que aprendia com o meu dia a dia, fosse na rua, escola, ou mesmo em casa.
Conseguia aprender, entendendo como funcionava na minha vida. Não quis que o estudo
fosse algo fora da minha vida e sim a minha vida. Independente do que seria meu
futuro. Meu pai me falou, ainda que eu precisava ter paciência que tudo no seu
tempo acontece. E que eu vivesse cada momento, por que nunca mais voltaria ao
mesmo lugar. Na hora do estudo, estudasse; na hora da brincadeira, brincasse; E
nunca, nunca desperdiçasse essa oportunidade.
Pedro, 12 anos –
Ganhador do Concurso de Redação da Escola Estadual Tereza Conceição de
Menezes - 2001.
Nenhum comentário:
Postar um comentário